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Esportes Crise no Bruscão

A bola não está entrando por acaso

Brusque FC despenca em rendimento e está longe de ser um time confiável para a segunda fase da Série C

21/11/2020 20h15 Atualizada há 2 dias
Por: Redação
A bola não está entrando por acaso

Com um caminhão de desfalques, o Brusque perdeu para o Tombense por 2 a 0 neste sábado. De certa forma, a derrota em Minas era esperada, apesar de que o time, bem diferente, segurou o zero a zero por todo o primeiro tempo com um jogador a menos. Mas depois da expulsão de Cleyton, a situação ficou insustentável. E Zé Carlos, que combina atuações ótimas com erros infantis, foi mandado para a rua por reclamação. Saiu descontrolado da sua área para reclamar com o juiz, foi amarelado. Não contente, continuou falando e tomou vermelho direto. Como ele estava pendurado, vai ficar dois jogos fora. Algo inaceitável em um time profissional.

O time chega a cinco jogos sem vencer, e tem o pior aproveitamento dos dez times do Grupo B nessas últimas cinco rodadas. O time perdeu o brilho, segue líder pela gordura acumulada no primeiro turno, mas hoje vive um cenário bem diferente. Não, não é só futebol. Não foi só a Covid. Tem mais.

Fontes de dentro do clube ouvidas por este escriba não gostaram de algumas ações da diretoria. A viagem para Tombos (MG), que é super cansativa, com descida no Rio e uma longa viagem serra acima por ônibus, foi feita durante toda a sexta-feira: o time saiu de madrugada para o aeroporto e só chegou as 7 da noite em uma cidade próxima do local da partida. O técnico Jerson Testoni mostrou insatisfação com isso na entrevista divulgada à imprensa pelo clube. Eles queriam ter ido um dia antes. 

Outro fator importante, e que ainda vai dar repercussão, foi a campanha eleitoral. A última vitória do Brusque foi no dia 18 de outubro sobre o lanterna São Bento, por 1 a 0 num gol suado de Airton aos 43 minutos do segundo tempo. Naquele jogo, o time já não foi bem. Ouvi reclamações de que membros da diretoria pararam de viajar junto com o time, para se agarrar na campanha.  A situação ficou meio largada lá dentro. Para quem não sabe, o presidente Danilo Rezini decidiu concorrer na eleição como vice do candidato impugnado Ciro Roza (que teve a candidatura indeferida por não se enquadrar na lei da ficha limpa, tendo condenações transitadas e julgadas na esfera federal). Com isso, ele teve que deixar o clube de lado. Pior: com a decisão de concorrer ao lado de Roza, bateu de frente com o principal patrocinador do clube, a Havan, onde o empresário Luciano Hang fez campanha forte pelo voto útil para o atual vice-prefeito e vencedor da eleição, Ari Vequi (MDB). Isso gerou um descontentamento e porque não, pode ser encarado como uma traição. Além disso, um outro patrocinador, que pertence ao genro do atual prefeito, também ameaça não renovar o contrato de patrocínio para 2021. O diretor de futebol, André Rezini, concorreu a vereador e se elegeu.

Fora isso, o clima não é mais o mesmo. Não se vê um time intenso em campo como era no primeiro turno. Houve uma queda de aproveitamento de chutes a gol, passes certos e até de posse de bola. O segundo turno foi correndo e o time, sem reagir, ainda deve conseguir a classificação para a segunda fase, mas vai chegar lá muito mais fragilizado. Se não vejamos: em cinco rodadas, enquanto o Brusque fez apenas dois pontos, o Tombense fez 13, o Ituano 12 e o Londrina 10. O ataque, sempre muito propostivo, fez apenas quatro gols em cinco jogos.

Tá certo que existem outras situações correlatas mas que não interferem no desempenho do clube: se subir, o Brusque não tem estádio pra jogar numa Série B (a Havan não fala mais na construção da Arena), o investimento ainda é baixo e o clube não tem divisão de base há anos (o que poderia ajudar numa emergência como a desse sábado, trazendo jogadores para completar o time contra o Tombense). O time tem ainda mais duas rodadas nesta primeira fase: semana que vem, em casa, contra o Volta Redonda, onde deverá contar com o retorno daqueles que positivaram no dia 12, e na última rodada pega o Criciúma no Heriberto Hulse. Está mais do que na hora de sentar, juntar a turma, lavar a roupa suja que tiver e retomar o foco. Esse Brusque do segundo turno está bem longe daquele que brilhou em boa parte do ano.

Fico triste. Um trabalho brilhante está caminhando para o ralo. Pode ser recuperado, claro. Mas é necessária vontade e organização pra recolocar tudo nos trilhos.

 

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Rodrigo Santos
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